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Isto está-te a causar ansiedade e tu não sabes
No passado fim de semana fui host de mais um retiro de bem-estar.
Aulas de yoga, workshops de cozinha natural e saudável, meditação, momentos de convívio, jogos quebra gelo e caminhadas pela natureza são algumas das coisas “no menu.”
Para além disto gosto sempre de dedicar uma aula teórica a algo que fazemos constantemente, mas acerca da qual sabemos muito pouco - a respiração.
Vou-te só deixar esta pergunta para perceberes o que quero dizer.
Quando te dizem “respira pela barriga” ou “inspira e enche a barriga de ar”, o que te estão a pedir exatamente? (Partindo do princípio que já concluíste que o ar circula única e exclusivamente nos pulmões, e nunca na barriga, em nenhuma circunstância.)
Na verdade o que te estão a pedir é que faças uma respiração “completa”, usando todos os seus elementos, especialmente o diafragma um músculo em forma de cúpula que separa a caixa torácica da zona abdominal e que contrai/desce quando inspiras.
➡️ Ao descer, o diafragma:
empurra ligeiramente os órgãos abdominais para fora, fazendo a barriga expandir (barriga de bebé)
dá espaço aos pulmões para expandir para baixo e para os lados.
É uma questão de pressão e movimento interno, não de “ar na barriga”.
Hoje em dia, como vivemos a uma velocidade alucinante, expostos a vários momentos de stress ao longo do dia, o diafragma torna-se preguiçoso, não faz a sua função, a respiração fica “presa” apenas nos pulmões, que também não expandem devidamente, e respiramos de forma acelerada e superficial.
E onde entra aqui a ansidade?
Achamos que a respiração acelerada é a consequência de um momento de ansiedade mas muitas vezes pode ser a causa.
Esta respiração ineficiente a que nos habituamos ativa o sistema nervoso autónomo simpático, aquele que se ativaria se estivéssemos na selva a fugir de um leão (e que não se deveria ativar quando estamos sentados à secretária), que pode culminar numa situação de ansiedade desagradável.
💭 P.S.: experiência prática para ti
Pelo menos uma vez por dia, senta-te num lugar calmo e dedica um minuto só à tua respiração.
Inspira lentamente pelo nariz durante 4 segundos, deixando a barriga expandir-se, como se o ar a enchesse por dentro.
Depois, expira devagar, durante 5 ou 6 segundos, sentindo a barriga e o peito a descer. Repete este ciclo pelo menos oito vezes.
É um gesto simples, quase invisível, mas vais notar o corpo a abrandar.